
A Praça de São Francisco, na cidade
histórica sergipana de São Cristóvão,
poderá ser escolhida como um dos novos
sítios naturais ou culturais
classificados como patrimônio mundial da
Unesco durante a sessão anual que será
realizada na próxima semana em Brasília.
A reunião deste ano do comitê -composto
por 35 países- ocorrerá em um momento
especial para Brasília, cidade
Patrimônio Mundial da Unesco, que
completa 50 anos de sua fundação.
O Comitê do Patrimônio Mundial da
Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura se reúne
na capital brasileira de 25 de julho a 3
de agosto para escolher entre os sítios
candidatos aqueles que merecem receber a
distinção por seu "valor universal
excepcional".
Brasil e México são os dois únicos
países latino-americanos que integram
este ano o comitê, presidido pelo
ministro brasileiro da Cultura, João
Luiz Silva Ferreira.
Os sítios se juntarão aos 890 sítios já
inscritos, sendo 689 culturais, 176
naturais e 25 mistos, em 148 países, que
estão na lista criada pela Convenção da
Unesco de 1972 sobre a proteção do
patrimônio mundial.
Entre os candidatos está a Praça de São
Francisco, localizada no município de
São Cristóvão, em Sergipe, quarta cidade
mais antiga do Brasil. A praça foi
erigida para ser o coração de São
Cristóvão no final do século XVI e
início do XVII. O local possui um grande
valor histórico, com uma arquitetura que
é testemunha da influência cultural da
União Ibérica no Brasil, quando os
reinos de Portugal e Espanha se uniram
(1580-1640).
Uma candidatura que tem despertado
interesse é a paisagem em torno da casa
de Charles Darwin, na Grã-Bretanha, em
que o autor de "A Origem das Espécies"
disse ter elaborado suas teorias
revolucionárias.
A lista que será examinada inclui também
os presídios da Austrália criados pelos
britânicos no período colonial, a
Fortaleza Jesus de Mombasa (Quênia),
dedicada ao tráfico de escravos, o bazar
histórico de Tabriz, no Irã, ou ainda os
sítios de fósseis de dinossauros da
Espanha.
Os sítios propostos são examinados por
dois órgãos consultivos que apresentarão
suas recomendações confidenciais ao
comitê, composto de representantes de 21
países eleitos por seis anos.
As decisões têm fortes implicações
econômicas, principalmente para os
países em desenvolvimento, porque a
inclusão de um sítio na lista geralmente
aumenta a frequência de turistas.
Mas este reconhecimento gera também
compromissos em matéria de urbanismo
que, se não forem respeitados, podem
levar a Unesco a retirar um sítio de sua
lista, como foi o caso de Dresden e do
Vale do Elba em 2009, na Alemanha, após
a construção de uma ponte.
Algumas candidaturas são acompanhadas de
forte polêmica, como a da Catedral da
Sagrada Família de Antoni Gaudí, em
Barcelona. Vizinhos e autoridades querem
que a igreja seja incluída na lista para
evitar a construção de um túnel para um
trem de alta velocidade nas proximidades
da construção histórica.
Sem uma exclusão prevista para este ano,
o comitê deverá debater o caso do Parque
Nacional do Serengeti, na Tanzânia,
segundo santuário da vida animal na
África, onde uma estrada será construída
em 2012.
Outro caso preocupante é o do Lago
Baikal na Rússia, o maior do mundo, onde
deverá ser reaberta uma fábrica de
celulose.
Vários sítios famosos estão "sob
vigilância reforçada", como Machu
Picchu, no Peru, Samarkand, no
Uzbequistão, ou Tombouctou, no Mali,
devido ao crescimento urbano
desordenado.
E a Unesco poderá ampliar sua lista "de
patrimônios em perigo", que inclui 31
sítios, entre eles os parques nacionais
da República Democrática do Congo (RDC)
e as ilhas Galápagos (Equador), primeiro
sítio classificado como patrimônio
mundial em 1978.
A inauguração em Brasília terá as
presenças do presidente brasileiro Luiz
Inácio Lula da Silva e da diretora geral
da Unesco, Irina Bokova.
Fonte:AFP |