
É no interior de Sergipe que se encontra
uma das únicas e mais conservadas
manifestações arquitetônicas da
colonização espanhola no Brasil. A
peculiaridade, aliada a um razoável
nível de preservação de sua feição
original, fez de uma praça na cidade de
São Cristóvão o único lugar no Brasil
que concorre ao título de Patrimônio
Mundial neste ano.
O conjunto arquitetônico é formado por
construções públicas e religiosas no
entorno da praça São Francisco,
edificada entre 1580 e 1640. Ela foi
fundada para simbolizar a união entre
Portugal e Espanha, quando os dois
reinos estiveram sob uma mesma coroa no
período colonial.
O lugar concorre com outros 38 "sítios",
metade deles localizados na Europa,
Estados Unidos e Austrália. A escolha
ocorre nesta semana em Brasília, que
sedia a 34ª Sessão do Comitê do
Patrimônio Mundial, com 800
representantes de 187 nações.
A discrepância da única indicação
brasileira em relação a outros países é
reconhecida pelo ministro da Cultura,
Juca Ferreira, que também comanda o
comitê que avalia os pedidos:
- Existe o desequilíbrio e
supervalorização do patrimônio da Europa
e da América do Norte. É preciso
reconhecer o patrimônio árabe, africano,
latino-americano e asiático, gerar um
equilíbrio não no sentido aritmético de
parcelas iguais, mas que a gente não
caia no etnocentrismo.
O ministro ressaltou, porém, que, entre
os países em desenvolvimento, o Brasil
só tem menos patrimônios que o México.
Possui 17 bens declarados patrimônio
mundial, sendo dez culturais - como os
centros históricos de Ouro Preto (MG),
Olinda (PE), São Luís (MA) e Salvador
(BA) -e sete naturais - como o Parque
Nacional do Iguaçu (PR), Pantanal (MT e
MS) e Fernando de Noronha (PE).
No mundo, existem 890 bens declarados
como patrimônio mundial, sendo que 49%
estão na América do Norte e Europa, 21%
na Ásia e regiões do Pacífico, 14% na
América Latina e Caribe, 9% na África e
7% em países árabes. Para alcançar o
título, são levados em conta dez
critérios, de forma que o bem seja
"excepcionalmente representativo" do
ponto de vista cultural, histórico,
urbanístico, geológico ou natural.
No evento, será avaliada ainda a
situação de 36 patrimônios que correm o
risco de entrar na lista de bens em
perigo, pelo mal estado de conservação.
O Brasil não tem nenhum bem nesta
situação. Mesmo assim, há problemas a
serem enfrentados, como explica o
presidente do Iphan (Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional), Luiz Fernando Almeida:
O maior desafio são áreas que contornam.
Precisamos estabelecer que a qualidade
de conservação daquilo é patrimônio da
humanidade de estenda para todo o centro
histórico dessas cidades.
Ainda nesta segunda-feira, foi assinado
um acordo entre o Ministério da Cultura
e a Unesco (Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura) para criar, no Brasil, um
Centro Regional de Formação para Gestão
do Patrimônio. O órgão, a ser instalado
no Rio de Janeiro, irá capacitar
gestores públicos para a preservação do
patrimônio, atendendo também países da
América do Sul e de países africanos de
língua portuguesa.
Fonte:R7 |