
A cantora Simone traz a público um show
essencial, sereno e fiel às próprias
convicções. 'Na Veia', chega a Aracaju
nesta quarta-feira, 7 de abril, no
Teatro Tobias Barreto, após ter passado
por nove capitais brasileiras em 2009 e
tem a direção de José Possi Neto. Na
tarde desta terça-feira, 06, a cantora
concedeu entrevista coletiva à imprensa
em um hotel na Orla de Atalaia, onde
falou sobre a carreira e em especial
sobre o novo trabalho que representa
toda sua maturidade artística, isso após
um período de cinco anos em que se
dedicou a trabalhos com outras
intérpretes brasileiras como é o caso de
Zélia Duncan, que resultou na gravação
de um DVD, entre outros projetos que de
certa forma a afastaram do estúdio para
a formulação de seu próprio CD.
E assim surgiu 'Na Veia', o primeiro
disco de canções inéditas da intérprete
após o Baiana da Gema, gravado em 2004,
no qual homenageou Ivan Lins. O
resultado é completamente distinto de
seus trabalhos anteriores, mas com cara
de Simone. O amor, um dos assuntos mais
constantes na discografia da intérprete,
também predomina neste novo show, mas
sob um enfoque mais amplo: não
coincidentemente, a mulher, o sujeito
principal das canções aqui, expõe
livremente seus desejos, seduz, põe fim
à relação e também anseia por liberdade.
Tanto as composições quanto a
interpretação precisa e sutil conferem
uma abordagem contemporânea e atual ao
tema mais recorrente no cancioneiro do
Brasil, como explica José Possi Neto:
"Meus discos sempre expressaram o amor,
a paixão, sentimentos intensos assim
como a minha vida. Sempre cantei, e isso
não vai mudar, movida pelo amor e pela
intensidade da vida, das minhas
experiências como pessoa que ama, sofre,
mas acima de tudo tira sempre algo bom
de suas experiências. Na Veia é assim,
repleto de amor, de paixão, desejo e
muita alegria, um trabalho com muito
romance, mas também com samba, um dos
ritmos de que mais gosto e está presente
sempre em meu repertório. Trago também
algumas releituras de clássicos da nossa
música, como Gonzaguinha, Lulu Santos,
Rita Lee, e músicas do meu repertório e
que há muito tempo eu não cantava",
revela Simone.
E essa paixão vem pelas mãos de
compositores em sua maioria já gravados
pela intérprete, "A seleção das músicas
para compor o repertório foi feita da
maneira tradicional, pois tenho o
costume assim que começo a pensar num
trabalho novo de ligar para as pessoas
(compositores), e pedir mesmo algumas
músicas, que tenham é claro o que
preciso, ou seja, o sentimento ou o tom
que quero dar ao CD e assim foi, liguei
para a Adriana Calcanhoto que me
ofereceu duas músicas e fiquei com as
duas, de Paulo Padilha, um jovem
compositor de São Paulo que traz consigo
o estilo do samba paulistano e fez uma
música maravilhosa. Nesta vez também
falei com Erasmo Carlos que também me
ofereceu duas pérolas, que nem tive como
pestanejar, gravei as duas. Mas, também
há os tradicionais aqueles que sempre
colaboram com o meu trabalho como é o
caso do Martinho da Vila, Paulinho da
Viola, Marina, Abel Silva e até uma
música de minha autoria em parceria com
Hermínio Bello de Carvalho. Só posso
dizer que é muita coisa boa reunida",
destaca a cantora.
Autor de clássicos na voz de Simone,
como Jura Secreta e Alma, Abel Silva
também marca presença com Pagando Pra
Ver, um ‘blues feliz’ segundo ele
próprio, em parceria com Nonato Luis.
Martinho da Vila, a quem a ‘cigarra’ já
dedicou um disco inteiro na década de
90, também traz a novíssima Na Minha
Veia (com Zé Catimba). Simone Na Veia, o
show, segue na cadência do samba com
Paulinho da Viola, que marca presença
com Ame (“esta canção é tudo que eu acho
e acredito do amor”, contextualiza a
cantora) e Deixa Eu Te Amar, um sucesso
de Agepê, que aqui aparece completamente
despido e renovado, e chega até a
parecer um clássico de...Simone.
Completam o roteiro do show Certas
Coisas – clássico de Lulu Santos - ,
Perigosa (primeira incursão de Simone no
repertório de Rita Lee), além de canções
do repertório de Simone que ela já não
cantava há muito tempo, como Tô Que Tô (Kleiton
e Kledir), Paixão (Kledir) e Face a Face
(Sueli Costa/Cacaso), esta última do
antológico álbum homônimo de 1977. O
restante são surpresas.
Simone Na Veia atesta, após 36 anos de
carreira, o gosto que a ‘cigarra’ tem em
cantar, e o quanto este prazer permeia
cada poro deste show, tornando-o, acima
de tudo, um espetáculo de Simone.
Além da direção e de dividir o roteiro
com Simone, José Possi Neto assina
também a luz e a direção de arte do
espetáculo. A cenografia, a cargo de
Jean Pierre Tortil, se baseia em
sobreposições de transparências e
brilhos que conferem, no plano físico, a
leveza que permeia o conceito do
espetáculo
Fonte:Emsergipe |